Entrevista de Rarafónica a Gonzalo Parada (Presidente del CSANF)

Tamil Eelam Football Team -Viva World Cup 2012

domingo, 25 de julio de 2010

Gavião Kyikatêjê Futebol Clube




Em meio à floresta amazônica, a 25 km de Marabá, moram os jogadores do Gavião Kyikatêjê Futebol Clube, primeiro time indígena profissional do Brasil, oficializado na CBF em agosto passado e conhecido por sua participação atual na segunda divisão do campeonato paraense.

Há muitas histórias sobre a preparação física incomum dos jogadores: que praticam desvio de flechas com chumaços de algodão nas pontas e corrida de toras como parte do treinamento. Entram em campo com os corpos pintados e fazem um ritual com cânticos da tribo antes dos jogos.

A autorização para a entrada na aldeia, no município de Bom Jesus do Tocantis, tem que ser dada por Zeca Gavião, 43 anos, treinador e líder do povoado. Ele informa que precisa apenas de alguns dias para preparar os treinos com as toras. E faz um pedido: “Precisamos de algumas bolas”.

O preparador físico João Primo, 49, é formado em educação física, ex-jogador do Imperatriz, do Maranhão, e um dos responsáveis pelo sucesso do time. Amigo de Zeca há tempos, foi Primo quem sugeriu ao treinador o curso preparatório de técnica e tática na cidade de Poços de Caldas, em Minas Gerais, realizado por Zeca em 2006.

No início deste ano, após quase uma década de trabalho como preparador no Águia de Marabá, o maranhense (não indígena) passou a integrar a comissão técnica do Gavião Kyikatêjê. João Primo mora em Marabá, mas diariamente se desloca até a aldeia para suar os jogadores, exceto nos fins de semana. À noite, trabalha como personal trainer numa academia da cidade.
“Fomos desclassificados na seletiva para conseguir uma vaga na segunda divisão. Mas o time Negra Carajás, já classificado, estava com problemas financeiros e cedeu os direitos federativos para o Kyikatêjê. Então entramos na segunda, dessa vez como Gavião Kyikatêjê Carajás. Agora são dez times disputando quatro vagas para entrar na elite do paraense, até o fim do ano”, explica o técnico.

Esportistas natos Consagrados em várias edições dos Jogos dos Povos Indígenas, que ocorrem anualmente em diferentes cidades brasileiras, os kyikatêjê são esportistas natos: homens e mulheres se destacam em provas de natação, atletismo, lutas corporais, corrida de toras e arco e flecha. Mas é no futebol que eles, literalmente, se encontraram.

De bala a flechaEntre os jogadores, parece que os brancos estão se aculturando. “Isso aqui é bom demais, o duro é que a gente se acostuma”, afirma o volante Helio Rubens, 36, de Belém. Com 15 anos de profissão, ele já passou pelos times Castanhal, Águia de Marabá e Ananindeua. Acredita que trouxe sua experiência para o time e enxerga a velocidade e a resistência dos índios como pontos fortes da equipe.

“As pessoas me receberam muito bem, são muito hospitaleiras e respeitam o espaço de cada um. Experimentei coisas que nunca havia imaginado: caçada, pesca e corrida de toras”, diverte-se. O lateral direito Gil Bala, 23, também de Belém, concorda. “Para quem quer sossego e uma vida mais tranquila é ótimo”, afirma ele, que teve o apelido modificado pelos locais. Hoje, o jogador atende por Gil Flecha.




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